
Na velhice, o cérebro, assim como o corpo, precisa de treinamento para não "atrofiar". Os pesquisadores Sherry Willis e Michael Mariske comprovaram a tese cientificamente.
O estudo, publicado no Jornal da Associação Médica Americana, contou com 2.800 voluntários, idosos com idade média de 73 anos e que moravam sozinhos. Um grupo recebeu treinamentos e exercícios para aprimorar as funções mentais e o outro não. Os treinos envolveram a mnemônica (arte de exercitar a memória usando abreviaturas e rimas), que proporcionam os mesmos benefícios que a prática de "Sudoku" (jogo de lógica).
Um dos autores da pesquisa, Michael Mariske, da Universidade da Flórida, disse que a maior surpresa foi ver que mesmo depois de anos, os participantes treinados ainda tinham a mesma rapidez de raciocínio conquistada na época dos exercícios. No total, foram apenas 18 horas de treino. "Imagine se essas pessoas praticassem os exercícios todos os dias", disse Mariske. "O grupo não treinado apresentou uma performance cerebral muito inferior e com o passar dos anos, algumas de suas funções mentais foram atrofiando", explicou.
"Os idosos devem treinar suas mentes para aprimorar suas habilidades cognitivas. É tão importante quando o exercício físico. Mas eles devem se desafiar, fazer atividades diferentes e não transformá-las em rotina", declarou Sherry Willis, da Universidade Estadual da Pensilvânia, e autora do estudo.
Essa e outras pesquisas mostram como é possível combater o declínio da atividade cerebral na velhice sem remédios. "Os medicamentos disponíveis hoje em dia não têm uma performance extraordinária e dão efeitos colaterais. Já estamos prevendo um futuro onde o tratamento irá combinar exercícios e remédios, dependendo das necessidades individuais", acrescentou Willis.